Enquanto falavas;
Eu olhava-te.
Olhava para cada detalhe teu...
A forma do teu cabelo depois de um mergulho,
O teu olhar que, quanto mais olhava, mais intenso ficava.
O teu sorriso que, de vez em quando, aparecia.
As rugas que já marcavam o teu rosto,
A tua barba por fazer,
A tua voz...
A forma como cruzavas as pernas e as agarravas enquanto relaxavas.
O teu jeito tranquilo, desajeitado e sensual enquanto falavas,
Enquanto andavas ou te encostavas nas rochas a apanhar sol.
E enquanto te admirava, queria-te bem mas ainda não te queria comigo.
Queria que fosse o tempo, nas tuas ações e entrega, que me dissesse se o caminho deveria ser feito ao teu lado.
Tanto tempo, tantas partilhas, vulnerabilidade mas o teu coração ainda fechado.
Também já o tive assim.
Já abri o meu coração que sempre foi ferido e chegou um dia que o fechei.
Pessoas tentavam entrar mas não permaneciam.
Estava pesada, fechada, não fluía e mal sabia.
Dizias que evoluir era um caminho mas temos conceitos diferentes do que isso significa.
Para ti evoluir é na música, é aprender.
Para mim evoluir é ir dentro de mim onde está a direção que a vida deve fluir.
Hoje o meu coração está aberto mas já não vejo o mundo cor-de-rosa,
Já não aceito que qualquer um entre cá dentro.
Sei o que quero e não quero, tinha-te dito.
E eu sempre sabia que o caminho não era contigo...
Mas ainda assim escolhi romantizar,
Escolhi ver até onde irias.
Mas quando (me) dei voz,
Escolheste fugir... de ti.
Na minha cabeça já idealizava e sonhava,
Mas quando há capítulos que não estão fechados,
Quando há feridas por curar,
Quando não se diz o que se sente,
E quando se acha que tudo está bem,
Os padrões mantêm-se,
A vida não avança.
E quando, de repente, surgiste e foste ficando...
Eu sabia que algo iria aprender sobre mim através de ti.
Por isso fico feliz por nos termos cruzado,
E querendo-te tão bem...
Eu não fico onde não voo.
Mesmo tendo caminhos diferentes,
Foi bom ter-te sonhado.
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