11 julho, 2009

Quebrou o momento

Eram nove horas. O sol ainda se punha, cruzando o mar bem longe numa mistura de laranjas e azul. Um dos acontecimentos que a faz sentir-se com sorte por poder presenciar. Observava no cimo de uma rocha, bem alta desde o mar, com o seu vestido branco. Era um momento de reflexão... Talvez de evocação de lembranças. Passaram-lhe várias imagens pelo pensamento: momentos que viveu e que ainda perduram. Caiu-lhe uma lágrima. Sentia-se apenas acompanhada pela brisa que de vez em quando passava agitando os seus cabelos e o seu vestido que contrastava com a pele, agora, morena. Gostava de poder voltar a viver de novo o que viveu, sentir o que sentiu, dar o que deu, receber o que recebeu, amar como amou.


Por momentos achou tudo isso possível, mas... o vento deixou-a sozinha. E quebrando o momento, tirou o seu vestido e com um sorriso maroto, aventurou-se pelo céu em direcção ao mar, saboreando o momento da queda, apenas consigo mesma e com o vento que decidiu voltar para a acompanhar no seu novo percurso. Mergulhou no mar, como quem já treinava aquele salto. Sentiu a água agradavelmente fria no seu corpo nu. Debaixo de água, como se existisse uma câmara de filmar atrás de si observando-a, olha para trás e sorri...


Hoje decidiu não temer o futuro.

07 julho, 2009

Meu

Dias de sol,
Noites quentes,
Desde que estás comigo,
Assim tem sido.
Pensar em ti,
Querer-te ao meu lado,
Desejar-te nos meus braços.
São longos esses pensamentos,
Esses desejos,
Porque mesmo contigo
Não os deixo de ter,
Não os deixo de sentir.
Tornaste-te no meu abrigo,
No meu ombro amigo.
Meu companheiro,
Das boas e das más horas,
Contigo choro e riu.
Assim és,
Assim serás...
Não te deixo,
Não te deixarei.
És a peça que me faltava...
Contigo nem eu sonhava,
E nem mesmo imaginava
Que pudesses existir.
Passar por onde eu já passei,
Tocar onde eu já toquei.
Há quem (te) sonhe,
Há quem (te) deseje.
Graças a mim,
Graças a ti,
Graças a Nós:
Eu sonho(-te),
Eu desejo(-te),
Eu tenho(-te).

05 julho, 2009

O primeiro «Amo-te»

Era meio dia. Ela sabia que ele gostava de dormir até tarde, mas tinha a certeza de que gostaria mais ainda de a ver.


Bastante ajeitada, saiu do elevador, no piso acima do seu, e percorreu o corredor até ao 519. Pelo caminho passava com os dedos por entre os seus cabelos loiros e tentava imaginar como seria o seu encontro com ele.


Antes de bater à porta, inspirou fundo. Era agora... Sentia-se nervosa e ao mesmo tempo ansiosa... tinha passado demasiado tempo desde a última vez que o vira.


Bate, e ele ao abrir a porta, olham-se nos olhos e deixam escapar um sorriso que quase lhes rasga a cara. Ela atira-se aos seus braços, e beijam-se com uma enorme saudade. Ela sentiu-lhe o gosto da pasta de dentes, e percebeu que ele já a esperava. Sentiu o cheiro da sua pele: aquele que a confortava a cada momento que se tocavam. Entra no apartamento e, com força, ele toma-a novamente nos braços. Ela sentiu as borboletas na barriga, o arrepio que lhe percorreu o corpo inteiro, o nervosismo à flor da pele, a ansiedade de querer tudo ao mesmo tempo, o desejo e confiança de ser para sempre... Ela estava perdida e unicamente apaixonada por ele...


O tempo passou... O que fizeram será a vossa imaginaçao a decidir. Sairam do apartamento de mãos dadas. Momentos antes tinha-lhe sussurrado ao ouvido um «Amo-te» tão ternurento e sincero, que nunca antes lhe soube tão bem dizê-lo.

01 julho, 2009

Está na hora de ser feliz


'Luta pela tua felicidade', como (lhe) costumavam dizer.
Pouco lutava e mais se rendia ao que nunca pretendia... A felicidade não se avistava, nem grandes olhos e corações sentiam a respiração rápida de quem tomava ecstasy de sorrisos e palavras bonitas; não viam o brilho nos seus olhos, nem a segurança nas suas palavras. Respiração lenta de quem morre aos poucos e suplica por algo com cor, olhos tristes e palavras memoravelmente vincadas de medo, eram a sua forma de estar desde que acordava, até ao beijo de boa noite.
Só os loucos desejariam viver assim, e ela não foi louca durante muito mais tempo.
Ela lutou pela sua felicidade e hoje brilha por onde passa.

'Luta, a vida é mais do que dois dias'

03 junho, 2009

Conclusão de uma história (in)acabada


Nada mais ela tem que impeça a chuva cair e faça o Sol brilhar ao longo da semana. São noites frias e sombrias, pedras de gelo que caem do céu infinito e ferem o seu coração. Ela escuta e tenta devolver a palavra, mas parece que quanto mais fala, quanto mais grita para que seja ouvida, menos a sua voz se ouve... menos importância tem. Anseia por um lugar quente e reconfortante, que a faça sentir que não está sozinha e que não luta por algo impossível. Esse lugar parece estar tão longe... quanto mais tenta alcançá-lo, mais se afasta de si. Quanto mais o deseja, mais se torna numa luta sem fim. E ela ali se encontra, ainda com o vestido branco pelos joelhos sentada no chão frio e molhado com os seus cabelos loiros pela cara, mas já não espera que a salvem: ela não acredita em príncipes encantados.

22 maio, 2009

Cegueira psicológica


Viver uma vida fria, sem amor, sem calor no olhar, sem conforto no abraço. Ausência de sentimento, puro medo e insegurança.

Falta de esperança.

«Tudo» entregue de corpo e alma ao «Nada».

O «Infinito» não tem espaço para o «Vazio».

A «Vida» matou o Sonho vivido desde o primeiro dia em que se viram.

Sangue, derrota, dor psicológica.

Foi vivida uma vida fria, sem amor, sem calor no olhar, sem conforto no abraço.

Ausência de sentimento, puro medo e insegurança minuto após minuto.

Bastou um dia para pôr um fim aos 367 dias de mentira vividos. E a esse processo numa «mente» se chama CEGUEIRA PSICOLÓGICA.


28 março, 2009

Tento esquecer-te...


Há quanto tempo não deito eu uma lágrima por ti?

Há quanto tempo não finjo eu que estou bem sem ti?

Há muito tempo,

Há demasiado tempo..

Seria isso que gostaria de responder.

Mas não me vou enganar.

Ainda ontem quase me afogava em mar..

Eu tento,

Mas não consigo

Esquecer-te, é percorrer um longo caminho...